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O perdão em âmbito público como horizonte para a ação e o futuro da memória


Está publicada e disponível para acesso público no Repositório Institucional da Universidade Federal de Pelotas (Guaiaca) a tese de doutorado de Giovane Rodrigues Jardim, defendida em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural, vinculado ao Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

A tese desenvolve uma abordagem teórico-crítica sobre o perdão e o não perdão em âmbito público, analisando suas articulações com a ética, a memória e a política diante das graves violações de direitos humanos ocorridas durante as ditaduras nos países do Cone Sul. O trabalho interroga a possibilidade do perdão a agentes de crimes contra a humanidade e examina o perdão público como horizonte para a ação política e como futuro para os trabalhos da memória.

Na perspectiva da dialética negativa, a pesquisa concebe o perdão como o “não-idêntico”, recusando leituras reconciliatórias imediatas e evitando sua redução ao esquecimento, à impunidade ou à equiparação com dispositivos jurídicos como anistias, indultos ou prescrições. O percurso metodológico articula revisão bibliográfica, pesquisa documental, visitas técnicas a museus de memória, observação participante, entrevistas e pesquisa de opinião.

A investigação estrutura-se em duas etapas principais: a análise do não perdão nos museus de memória do Cone Sul, compreendidos como referências para a formulação de políticas públicas de memória, e o exame das experiências de justiça de transição na região, em diálogo comparativo com experiências internacionais, especialmente Argentina, África do Sul e Colômbia, e com foco empírico no Chile, Uruguai, Paraguai e Brasil.

Entre os principais resultados, a tese analisa criticamente a consigna “ni perdón”, compreendida como expressão de uma “consciência feliz” associada a uma compulsão à identidade nos trabalhos da memória, ao mesmo tempo em que identifica demandas sociais e políticas por pedidos públicos de perdão e reconhecimento de responsabilidades. O estudo conclui que o perdão, concebido como horizonte da ação e futuro da memória, permanece uma possibilidade aberta, dependente de condições históricas, políticas e subjetivas, podendo contribuir para a reconstrução das relações democráticas baseadas na reciprocidade e no reconhecimento mútuo.

Ao reafirmar a necessidade de pensar o perdão em sua dimensão pública, a tese sustenta que ele não deve ser entendido como solução imediata nem como um suposto “perdão coletivo”, mas como um exercício crítico, inacabado e historicamente situado de elaboração do passado, capaz de contribuir para a construção de um mundo comum no qual nenhum ser humano seja considerado menos que humano e todos sejam reconhecidos como sujeitos de direitos e de ação.


📘 A tese está disponível na íntegra no Repositório Institucional da Universidade Federal de Pelotas (Guaiaca):https://repositorio.ufpel.edu.br/handle/prefix/19007


Também está disponível em: https://www.mddh.com.br/publications

 
 
 

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GRUPO DE PESQUISA MEMÓRIA, DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS

Laboratório de Filosofia Política (Em construção)

Coordenador: Prof. Dr. Giovane Rodrigues Jardim

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