Grupo de Pesquisa Memória, Democracia e Direitos Humanos participa do V Seminário Internacional REPAC

O Grupo de Pesquisa Memória, Democracia e Direitos Humanos (IFRS/CNPq), do IFRS Campus Erechim, participou do V Seminário Internacional da Rede de Pesquisa em Acervos e Patrimônio Cultural (REPAC) / 3º Encontro Regional de Gestão e Preservação de Acervos. O grupo apresentou o trabalho “O Arquivo Oral do Museo de la Memoria (MUME): testemunhos, preservação e políticas de memória”, do professor Giovane Rodrigues Jardim, coordenador do grupo. O evento é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) e ocorre de 22 a 24 de outubro, em formato híbrido, no Campus I da UPF. O tema desta edição é “Da materialidade à patrimonialidade: desafios da gestão e preservação de acervos multissuportes”.
A pesquisa analisa a trajetória e o funcionamento do Arquivo Oral do Museo de la Memoria, criado em 2007 pela Intendencia de Montevideo. O foco está nas práticas de produção, preservação, organização e acesso aos testemunhos sobre a ditadura uruguaia. O estudo foi desenvolvido a partir de visitas técnicas ao museu, em 2018 e 2024, observação participante e análise de documentos institucionais. Também foram feitas entrevistas em 2024 com Ana María Sosa Aldacor, coordenadora do Arquivo Oral, e com o antropólogo Octavio Nadal, pesquisador colaborador da instituição.
Entre os resultados, o trabalho destaca a metodologia de entrevistas como histórias de vida, realizadas em múltiplas sessões — algumas chegam a 30. As entrevistas partem das trajetórias familiares e comunitárias, abordam os momentos de prisão, exílio e repressão e chegam até o presente, com atenção à saúde mental de quem testemunha. “Cada uno de nosotros es un documento”, resume a coordenadora do Arquivo. A apresentação também tratou da evolução das formas de descrição do acervo. No início eram resumos genéricos; hoje são resumos a cada dez minutos acompanhados de índices, inspirados no modelo do sítio de memória Villa Grimaldi, no Chile.
O estudo aponta ainda os limites institucionais enfrentados pelo Arquivo:
apenas duas pessoas realizam todo o ciclo de trabalho, da entrevista à edição;
a infraestrutura tecnológica é precária;
o acervo não está disponível na internet;
o Arquivo ainda não integra as exposições do museu.
Para o pesquisador, a experiência evidencia a importância dos acervos orais para a produção do conhecimento histórico e para as políticas de memória e direitos humanos. Para isso, esses acervos precisam de rigor metodológico, responsabilidade ética e condições institucionais que garantam sua continuidade.
O trabalho também é vinculado ao Laboratório de Filosofia Política (LAFIPO) e ao Núcleo de Memória do IFRS Campus Erechim. A pesquisa dialoga com a tese de doutorado do professor, “O perdão em âmbito público como horizonte para a ação e o futuro da memória” (PPGMP/UFPel, 2025), disponível em guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/19007.






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