Por uma Política Estadual pelo Direito à Memória e à Justiça no Rio Grande do Sul
- Giovane Jardim
- 1 de abr.
- 2 min de leitura

Na data de hoje, foi protocolado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul um Projeto de Lei de autoria da deputada estadual Sofia Cavedon que propõe a criação da "Política Estadual pelo Direito à Memória e à Justiça (PEMJ-RS)".
A iniciativa tem como objetivo central garantir o reconhecimento, a preservação e a divulgação da história das violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura civil-militar brasileira (1964–1985), com ênfase na realidade do estado do Rio Grande do Sul .
O projeto estabelece um conjunto abrangente de diretrizes e ações voltadas à consolidação de políticas públicas permanentes no campo da memória. Entre seus principais eixos, destaca-se a **identificação, sinalização e publicização de locais associados à repressão política**, como espaços de prisão, tortura, desaparecimento forçado e outras formas de violência de Estado . A proposta também prevê a instalação de marcos memoriais, a criação de um banco de dados público com documentos e testemunhos, além do desenvolvimento de um portal digital com mapas interativos sobre esses locais.
Outro aspecto relevante do projeto é a articulação entre memória e educação. A PEMJ-RS propõe a incorporação do tema nos currículos escolares, a formação de educadores e o estímulo a atividades pedagógicas em espaços de memória, reforçando a centralidade da educação em direitos humanos como instrumento de não repetição .
O texto também enfatiza a participação da sociedade civil, incluindo familiares de vítimas, movimentos de direitos humanos, universidades e instituições de pesquisa, prevendo a criação de um "Fórum Permanente" responsável por acompanhar, fiscalizar e avaliar a implementação da política.
Na justificativa, a deputada destaca que o direito à memória, à verdade e à justiça constitui um pilar fundamental das democracias contemporâneas e encontra respaldo tanto na Constituição Federal quanto no direito internacional dos direitos humanos. O projeto dialoga diretamente com recomendações da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Estadual da Verdade do Rio Grande do Sul, cujos relatórios apontaram a necessidade de políticas públicas estruturadas para a preservação da memória e a prevenção de novas violações .
A proposta também se insere em um contexto de disputas em torno das narrativas sobre o passado recente, reafirmando a importância de tornar públicas e tangíveis as evidências das violações cometidas pelo Estado. Nesse sentido, menciona iniciativas da sociedade civil, como o movimento pela transformação do chamado “Dopinho”, em Porto Alegre, em um centro de memória, evidenciando a centralidade dos lugares de memória na construção de políticas de reconhecimento.
Caso aprovado, o projeto representará um avanço significativo na institucionalização de políticas de memória no âmbito estadual, contribuindo para a consolidação de práticas voltadas à verdade, à justiça, à reparação simbólica e à garantia de não repetição.






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